A Prefeitura de Maringá iniciou nesta sexta-feira (14) o movimento “Maringá Pela Vida”, com a apresentação de medidas previstas no Plano de Segurança Viária para tentar reduzir o número de acidentes e mortes no trânsito. Neste ano, 29 pessoas morreram em acidentes de trânsito na cidade.
A apresentação ocorreu durante uma reunião no Paço Municipal, com participação de representantes das forças de segurança e de entidades da sociedade civil.
Segundo relatório apresentado pelo secretário de Mobilidade Urbana, Luciano Brito, 122 motociclistas e 14 passageiros de motocicletas morreram em acidentes entre 2021 e 2026. Juntos, os casos representam 62% de todas as mortes registradas no trânsito de Maringá no período.
O levantamento aponta ainda que sábado, entre 18h e 23h, é o período com maior número de registros de mortes.
Fiscalização será reforçada
Como parte do plano, a Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob) iniciou um reforço nas blitze realizadas durante a noite. As equipes vão priorizar infrações como excesso de velocidade, combinação de álcool e direção, avanço de sinal vermelho e uso de celular ao volante.
Segundo a prefeitura, as fiscalizações noturnas serão triplicadas, principalmente nos locais com maior concentração de acidentes.
Também estão previstas mudanças na estrutura viária, como ampliação da visibilidade em cruzamentos considerados críticos, instalação de radares sonoros de velocidade, colocação de lombadas modulares e alterações no sentido de algumas vias.
A fiscalização eletrônica de avanço de sinal também deverá ser ampliada, passando de 13% para 16%.
Motociclistas são foco das ações
O plano também prevê ações específicas para motociclistas, entre elas o projeto Moto + Vida, que deverá oferecer capacitação teórica e prática, além da criação de um selo para empresas que adotarem medidas de segurança voltadas aos condutores.
O inspetor de pilotagem Carlos Beto destacou que os motociclistas precisam conhecer tanto as características do veículo quanto as técnicas de condução.
“Muita gente não faz a calibragem correta, compra uma moto de alta cilindrada sem saber usar, não sabe como parar uma moto em caso de urgência, entre outros fatores”, afirmou.
Para ele, o motociclista precisa primeiro conhecer a si mesmo, depois a motocicleta e, por fim, o trânsito.
O presidente da Associação de Motoboys, Motogirls e Bikes, Paulo Roberto Júnior, também chamou atenção para a necessidade de maior rigor na seleção de profissionais por empresas de aplicativos e pediu mais atenção dos motoristas.
Acidentes aumentam na Avenida Colombo
Durante a reunião, o inspetor-chefe da Polícia Rodoviária Federal na região Noroeste, Pedro Faria, apresentou dados sobre os acidentes na Avenida Colombo, trecho urbano da BR-376.
Segundo ele, os acidentes aumentaram 15% entre 2025 e 2026. O crescimento ocorre principalmente em colisões traseiras.
“A causa dessas ocorrências tem sido a falta de atenção porque ou os motoristas não reagem ou são ineficientes na reação para evitar a batida no carro da frente”, explicou.
Movimento busca envolver empresas e instituições
O movimento “Maringá Pela Vida” também será levado para empresas e instituições. A prefeitura pretende disponibilizar materiais educativos para campanhas internas de conscientização.
Representantes do Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Polícia Civil e outras entidades participaram da reunião e apresentaram sugestões para melhorar a segurança de motoristas, motociclistas e pedestres.
As instituições foram convidadas a preencher um formulário eletrônico com propostas que possam ser aplicadas para ampliar a proteção no trânsito.
O prefeito Silvio Barros afirmou que as ações do poder público precisam ser acompanhadas pela mudança de comportamento dos condutores.
“As estatísticas mostram que pelo menos 90% dos acidentes acontecem por imperícia, imprudência e negligência. Como poder público, vamos endurecer a fiscalização e as ações de educação, mas precisamos que condutores e outras entidades também assumam esse compromisso”, declarou.
